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Publicada em 03/10/2008
Habitação: municípios falham na busca de
recursos
O Brasil tem uma carência de 8 milhões de moradias,
mas poucos municípios conseguem captar os recursos que o
governo federal tem reservado ao setor. "Tem gente que não
consegue fazer projeto para disputar o recurso, precisa de consultoria
privada", afirma o professor Adauto Cardoso, da UFRJ. "O
governo federal impõe cumprimento de algumas exigências,
o que implica alguma competência técnica."
Desarticulado depois do fim do BNH (Banco Nacional de Habitação),
em 1988, o setor voltou a ganhar força com o crescimento
econômico e a criação do PAC (Programa de Aceleração
do Crescimento), mas agora sofre com a falta de planejamento e quadros
técnicos.
Municípios como Santo André, Recife e Belo Horizonte
são considerados referência em habitação
popular por terem feito esforços como a urbanização
de favelas, mas nenhuma cidade conseguiu resolver esse drama.
"Temos trabalhado com os municípios não só
no sentido não de colocar as exigências, mas também
de ajudá-los a cumprir com isso. A questão dos financiamentos
do plano diretor em um primeiro momento e agora dos planos municipais
de habitação são exemplos desse apoio",
afirmou a secretária nacional de Habitação,
Inês Magalhães.
O Ministério das Cidades está desenvolvendo o Plano
Nacional de Habitação com base na projeção
de que 27 milhões de famílias se formarão no
Brasil e precisarão de novas moradias até 2023, ano
para o qual o plano formulará metas.
Quase metade dessas famílias deverá estar numa faixa
de renda entre R$ 600 e R$ 800 a R$ 1.200 e R$ 1.600. A faixa mais
pobre, diz a secretária, "precisa ser atingida pelo
Orçamento Geral da União, parcela muito próxima
ao Bolsa Família, que além da questão da habitação,
também precisa de uma rede de proteção social."
"Por isso a gente valoriza muito, quando se faz a urbanização
de favelas, melhorar as condições de empregabilidade
dessas famílias, para que elas permaneçam nessas áreas.
Para não ter o processo da chamada expulsão branca,
em que você dá uma moradia, a família não
consegue manter (as contas) e volta para uma favela."
Segundo o estudo Déficit Habitacional 2006, divulgado recentemente
pela Secretaria Nacional de Habitação, a maior parte
do déficit é composto por pessoas que moram na mesma
casa por necessidade (coabitação familiar, com 57,7%).
Os outros dois grupos do déficit são aqueles que gastam
uma parte excessiva da sua renda com o aluguel (23,5%) ou moram
em habitações precárias (18,8%).
Um dos principais desafios dos municípios para diminuir o
déficit habitacional é o preço da terra. "Estamos
comprando terreno caro para produzir moradia popular", afirma
o secretário da Habitação de Belo Horizonte,
Carlos Henrique Medeiros.
Ele diz que o poder público precisa inovar nas parcerias
com as incorporadoras para que possam atender cada vez mais a população
de baixa renda. "Urbanização de favelas não
é suficiente, é enxugar gelo".
A coordenadora do programa de habitação de Belo Horizonte,
Patrícia de Castro, diz no entanto que a urbanização
de favelas é uma frente essencial na solução
dos problemas do setor.
"O problema da moradia é complexo demais, e é
caro demais. Ele não tem uma solução só,
você tem vários instrumentos de intervenção
que minimizam a questão e a tornam controlável",
afirma.
"Belo Horizonte tem hoje 22% da população favelada.
Se você olhar em termos nacionais, o Brasil tem 27% das populações
das capitais vivendo em favelas. Isso é um estoque de moradia
muito grande que não pode ser abandonado. Você tem
que melhorar essas áreas."
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