O mais completo da Região ASSINE JÁ


Publicada em 27/09/2008

Amigos se despedem de Zé Coveiro

José Affonço viveu 76 anos de uma trajetória que começou muito difícil com uma infância que, se não cheias de privações, humilde o suficiente para que suas primeiras de muitas notas musicais fossem dadas em um cavaquinho de apenas uma corda. Filho de um coveiro, esse foi um grande diferencial de sua vida, que lhe acunhou o nome pelo qual era mais conhecido, Zé Coveiro.
Não resistindo ao desenvolvimento de um câncer no esôfago, Zé Coveiro morreu na manhã de ontem no Hospital São Vicente. No Velório Municipal, uma imensidão de amigos e parentes se reuniu para dar o último adeus ao músico. A sobrinha Rosemary de Moraes lembrou de algumas características que fizeram do músico uma referência na cidade. "Era muito bom conviver com ele, era uma pessoa muito autêntica. Ele fazia bicos, como limpeza de jardins e trabalhos de office boy, para sustentar a verdadeira vocação dele que era músico e boêmio. Mesmo assim, sempre foi muito perfeccionista. A música era tudo para ele, e seu esforço era sempre o máximo para criar suas canções". Para ela, a figura do tio foi fundamental durante toda a vida. "Meu pai morreu há muito tempo, e meu tio morava comigo e com meus filhos. Ele exercia ao figura de um pai e de um avô para mim. Era uma pessoa muito agradável e fácil de se lidar. Simplesmente não havia quem não gostasse dele".
Colega de tempos de Zé Coveiro, Cacilda Romero enalteceu os momentos significativos que ilustraram a influência do músico. "Eu o conheço desde que tinha 3 anos e ele 9. Vi quando ele começou a tocar com o instrumento de uma corda, dado por alguém, e quando desenvolveu seu talento para se tornar um músico extraordinário. O bloco carnavalesco Refogado do Sandi, que ele ajudou a fundar, prestou em uma das festas uma grande homenagem ao Zé. O Erazê Martinho compôs um samba enredo baseado na história dele, foi uma coisa lindíssima”, disse.
A música não abandonou Zé Coveiro nem na hora de sua morte. Os presentes, em coro e acompanhados pelo músico e amigo Roberto Zambelli, entoaram a canção Carinhoso durante os últimos momentos que compartilharam com o boêmio.