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Publicada em 30/11/2008

Dicas de segurança
Solidariedade Humana

* Jacintho Del Vecchio Junior

É muito comum elogiarmos algumas características que observamos na conduta de povos europeus: sua educação, o respeito à consciência social que faz, por exemplo, dos países nórdicos referências quando o assunto é qualidade de vida (propiciada por uma perspectiva política calcada na social-democracia) e equilíbrio social (são os países que apresentam os melhores índices de distribuição de renda). A comparação com o que vemos no Brasil é inevitável, mas existe uma questão que é primaz na consideração das causas dessas diferenças: o Brasil ainda é resultado de um processo relativamente recente de aculturação, fator que nos assemelha a adolescentes, se comparados à experiência cultural bem sedimentada do velho mundo. Procuro com isso chamar a atenção do leitor para um fato que normalmente nos passa despercebido: assim como os adolescentes se tornam idosos muito mais pelas experiências que adquirem que pelo simples passar dos anos, também os povos amadurecem pelas adversidades. O caso europeu é exaustivamente citado e, por isso, bem conhecido. O bombardeio alemão imprimiu cicatrizes nos londrinos que até hoje determinam alguns de seus comportamentos; contudo, serviram como um grande aglutinador social.
Hoje, contudo, não é um bombardeio, mas a força da natureza que testa nossa consciência social e nossa capacidade de agir enquanto sociedade organizada. A tragédia imposta pelas chuvas em Santa Catarina é um momento que exige a mobilização não apenas dos órgãos públicos, mas sobretudo da sociedade civil. O número de mortos atinge a casa da centena; o de desabrigados, dezenas de milhares. Nesse contexto, temos uma oportunidade ímpar para mostrar que o tão propalado respeito aos Direitos Humanos (que redunda necessariamente na solidariedade desinteressada) não existe apenas nos discursos, mas começa a nortear as ações de cada um de nós brasileiros. A Polícia Militar está fazendo sua parte. Todos os nossos quartéis são postos de arrecadação de água potável a ser destinada às vítimas da enchente. Procure-nos, contribua, faça também a sua parte. Os necessitados talvez nunca saberão seu nome, ou como e quanto você contribuiu. Mas a pessoa cuja vida você ajudou a salvar ou aquele cujo sofrimento você ajudou a minimizar nunca se esquecerá do seu ato de solidariedade.

* Jacintho Del Vecchio Junior
1º Tenente da Polícia Militar
Seção de Relações Públicas do 11º Batalhão de Polícia Militar do Interior
e-mail: 11bpmip5@polmil.sp.gov.br