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A Globo
aproveita a marola das altas temperaturas que anunciam o verão
para lançar uma trama praiana, ensolarada e pueril. "Três
Irmãs", que estréia no próximo dia 15,
é quase uma compilação do que o autor Antônio
Calmon mais escreveu em sua trajetória: histórias
de surfe mescladas com comédias românticas e vilões
pitorescos. Com cenários paradisíacos das ondas de
Bali - na Indonésia -, avançados efeitos especiais
e muita ação, a novela conta a história da
família Jequitibá, que fundou a fictícia cidade
Caramirim, no litoral fluminense, onde se desenrola a história
dirigida por Dennis Carvalho. Para a trama, o diretor conseguiu
reunir um elenco de novela das oito. As irmãs Dora, Alma
e Suzana, respectivamente de Cláudia Abreu, Giovanna Antonelli
e Carolina Dieckmann são os xodós da matriarca Virgínia,
de Ana Rosa. "Gosto de falar sobre surfe desde que filmei 'Menino
do Rio', em 1982. Posso ser o pior dramaturgo do mundo, mas sou
o homem que mais falou sobre surfe em novelas", orgulha-se
Calmon.
Na história, "o eterno feminino" prevalece. Tendo
como cenário a bela e fictícia Praia Azul, parte mais
badalada do balneário de surfistas, as irmãs vivem
histórias de amor insossas até se depararem com três
forasteiros das ondas. O sofrido Bento, de Marcos Palmeira, o irreverente
Gregg, personagem de Rodrigo Hilbert, e Eros, o rebelde de Paulinho
Vilhena, se envolvem respectivamente com a deslumbrada viúva
Dora, a destrambelhada ginecologista Alma e a meiga surfista Suzana.
"Com essa personagem, me sinto muito mais à vontade
para ousar e brincar", anima-se Giovanna. "Mas também
vamos falar sério. O Gregg defende a natureza com unhas e
dentes na história", adianta Rodrigo Hilbert.
Para atrapalhar não só os romances, como a saúde
da mãe Virgínia, de Ana Rosa, a pérfida vilã
Violeta, de Vera Holtz, surge como uma bruxa com visual de megera
de quadrinhos. "Estou adorando deixar meu cabelo natural. Não
vou precisar tingir por um ano!", comemora a atriz. Numa discussão
com Virgínia, a personagem malvada revela que foi amante
de Augusto, o falecido marido da matriarca. Com a notícia,
Virgínia tem um AVC e passa a conversar com o ex-marido morto.
"Ela volta mais forte do coma e decide combater a Violeta de
frente. Agora ela vira páreo para a vilã", diverte-se
Ana Rosa.
Mas outro personagem inesperado chega à pequena Caramirim.
Com visual de Mary Poppins - a babá do filme homônimo
que desce das nuvens, segurando um guarda-chuva como pára-quedas
-, Waldete, de Regina Duarte, aterrissa misteriosamente na trama.
Logo conquista vários amigos e começa a trabalhar
como governanta na casa de Violeta. A vilã acaba aceitando
a empregada após ser ameaçada de ter revelado um antigo
segredo. "Nos inspiramos num clássico delicioso e a
Mary Poppins é a única personagem que me vem à
cabeça quando se trata de governanta. Quero que ela encante
as crianças", torce Regina.
Além do clima romântico da trama, Calmon pretende abordar
assuntos relevantes na história. Cecília Dassi, por
exemplo, vive a personagem Natália, que sofre as conseqüências
desagradáveis da gravidez na adolescência. Com isso,
ela é pressionada a se casar com Pedro Henrique, personagem
de Ivan Mendes. "Também vou abordar o problema seriíssimo
das doenças sexualmente transmissíveis através
da personagem da Giovanna Antonelli, que é ginecologista",
adianta Calmon.
Entre pais e filhos, o surfista Sandro, de Marcello Novaes, também
sofre com um drama: Eros, de Paulinho Vilhena, o procura afirmando
que ele é seu pai. Filho de Walquíria, de Maytê
Proença, Eros foi criado pela mãe, que decidiu abandoná-lo
ao descobrir que ele gasta o dinheiro dos estudos em viagens de
aventura para surfar. "Nossa idéia inicial era gravar
no Havaí, mas falamos com especialistas que garantiram que
Bali teria as melhores ondas nessa época do ano. Fizemos
10 dias de gravações intensas", entusiasma-se
Dennis Carvalho.
Detalhes virtuais
Caramirim,
a fictícia cidade de "Três Irmãs",
retrata uma espécie de paraíso a beira-mar. Por isso,
na composição da cenografia, a equipe do cenógrafo
Keller Veiga se inspirou nas construções de Paraty
- litoral Sul do Estado do Rio - para erguer as duas cidades cenográficas
da trama. Numa delas, que será na vila da Praia Azul, um
enorme painel de "chroma key", com 400 m², foi construído
para a inserção de imagens do mar - que serão
da Praia de Grumari, no Rio. "Um dos principais recursos das
cidades cenográficas é o paisagismo. As plantas bem
exuberantes passam mais realismo nas cenas", ensina Keller.
Para também trazer verossimilhança às cenas
de surfe, os atores Rodrigo Hilbert, Marcello Novaes, Kayky Brito,
Paulinho Vilhena, Marcos Palmeira e Leonardo Carvalho foram para
Los Angeles para participar da primeira etapa dos efeitos especiais.
Eles foram fotografados por um equipamento que capta todas as expressões
faciais dos atores e cria uma malha virtual que é inserida
na imagem do rosto dos dublês surfando. Após oito etapas
de captação - as mesmas utilizadas em longas, como
"Homem-Aranha 3", "Super-Homem" e "King
Kong" -, são possíveis até imagens do
rosto dos atores em "slow motion" em ondas gigantescas.
"Fazer efeitos especiais desse nível e em tempo recorde,
que é o exigido pelas novelas, é absolutamente complexo
porque temos de desenvolver as ferramentas em uma extensa pesquisa
de novas tecnologias", valoriza Francisco Lima, da área
de Pesquisa e Desenvolvimento da Globo.
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